diário, escritos, rascunhos, pulsações de uma vida quase completa

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

noites de domingo...

nostálgicas noites.
que domingos são.
eu vejo letras soltas.
palavras inteiras.
na fumaça dos cigarros.
os meus e os alheios.
as estrelas enfeitam o céu.
riscam brilhos eternos.
o breu consome o tempo.
e é frio.

Morte

Que nos ronda vida inteira.
A única e absoluta certeza.
Que me amedronta.
Me comove toda vez que bate perto.
Que eu não gosto muito de pensar.
Medo, que me mete medo.
Absoluamente inevitável.
Da qual ninguém escapa.
Sentimento funesto.
Saudades imensas que ficam.
Tristezas sem fim.
Flores e velas, o cheiro característico.
Que se trilhem caminhos de paz.
No obscuro que vem depois.
Pois, ninguém sabe o que vem.
Ao certo não há quem saiba.
Só quando lhe convier saber.
E que não me convenha tão cedo.
Muito, muito mais tarde.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Eu, assim.

Que grande movimento acompanhei?
Quais motivos me levaram à tal?
Eu que sempre me entreguei.
Levianamente.
Despudor é meu lema.
Arriscar sempre e tanto, quanto mais.
Melhor, viver, divir que somar.
E eu sonho, ontem, hoje...
Sempre!
E o medo, medo de quê?
Nunca me apavora.
O pavor passa ao largo na vida minha.
E eu sorrio.
Durmo tranqüilamente.
Sambo em dias alegres.
Canto nos dias tristes, que são poucos.
Para minhas energiar reavivar.
Que músicas tão belas compostas tempos atrás.
Subo e desço ladeiras levando meu amor.
Amores, nunca fui simples.
Sempre composto, vários.
Vidas múltiplas dentro de mim.
Já fui um pouco de tudo, do que der vontade me visto.
Vivo essas e muitas outras pessoas.
Campos amplos corro, mas, não tropeço.
Minha vida é assim.
Tão simples e ritmada que cabe numa pauta.
Numa lauda.
Entre arranjos de sete mínimas notas.
Faço comporem valsas dolentes, frevos rasgados,
sambas-canções, muitas bossas.
Não sou adepto de um único tempo.
Vou à frente, volto atrás.
Não respeito regras.
Sou errante e nunca errado.
Cavaleiro do pós-futuro.
No fundo dos olhos meus transporto mundos.
Vejo gente de toda espécie.
E sou simples.

domingo, 21 de setembro de 2008

Não mais como antes

Eu que nunca quis ser normal.
Nunca o consegui, eis a verdade.
Se é que verdade existe.
Eu que sinto tanto, sempre, muito.
Nunca quis impressionar, apenas vivia.
E não sonhava ser tão ridículo.
Quão imbecil fui?
A vida passou.
O tempo criou asas.
Eu já nem sei se existo.
Fico triste, mas não choro.
Já não sei nem chorar.
Me pergunto até se ainda sinto.
Sentir o que?
Só sinto saudades, de pessoas, de momentos.
De sentimentos passados, se vidas antigas.
Eu não quero mais viver.
A vida não vale, as pessoas são tão poucas,
as que valem.
E querer não é mais poder.
Poder é estar em cima.
E ninguém perdoa o diferente.
Os excêntricos são ruins...
Eu não quero mais escrever.
As palavras secaram em mim.
E eu ainda tenho tanto para dizer.
Contar de amores passados, de coisas sofridas.
Mas não dá.
O tempo acabou.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Para nada.

Eu insone... Aqui, são quase duas da manhã...
Nem o cansaço me vence.
Eu pensando no trabalho.
Imaginando o futuro. Os caminhos a serem percorridos.
Mirando os passos já dados.
Uma realização.
Sonho concretizado.
Obstáculos que pensávamos intransponíveis.
Hoje estão absolutamente superados.
E nós correndo, saltando longe.
Que as porta, porteiras se abram.
Pois estamos passando.
Eu escrevendo no escuro da madrugada.
Lendo Clarice, ouvindo músicas conhecidas.
Esperando que os dias se passem...
Não, não há para que esperar. Coisas têm que ser feitas.
Soluções rápidas têm que ser pensadas.
O frio da noite não me amedronta.
O medo, faz tempo esqueci.
Passo páginas de jornais freneticamente, até atingir o ápice.
O cume, ainda, não foi alcançado.
Em breve.
A breviedade da vida talvez não permita.
Correr, saltar, sair.
Pés e passos firmes. Como todas as nossas decisões.
Pensei de repente no mar, não o mar claro de dia.
Aquele escuro da noite que tem beleza e mistério.
O espelho da tão alta lua.
Não consegui arregimentar nenhum pensamento.
Minha cabeça trabalha absurdamente rápida.
E talvez por isso não tenha conseguido adormecer.
E o dia novo já se anuncia com muitas coisas para se fazer.
Com horas para correr loucas nos cucos europeus.
Nos relógios de camelô, em todos a que se propõem marcar hora.
Hora para quê?
Orientação nossa...
As frases cada vez mais curtas, palavras repetidas.
Loucuras, devaneios, pensamentos desconexos.
Desarticulação noturna.
Amém.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O passado ronda...

Procurando estar comigo sozinho, passo os últimos dias em pensamento. Não querendo criar expectativas de um futuro feliz. Apenas refletindo sobre minhas absurdas ações. Quis chorar, muitas vezes durante estes momentos, em que me peguei revivendo o passado. Um passado não tão distante no tempo, mas muito distante nas possibilidades. Não sei se possível será reavê-lo. Correndo atrás dos prejuízos provocados por irresponsabilidades minhas, tento reconstruir pontes que derrubei. Penso em reescrever histórias antigas. Não, não é vergonha se arrepender de coisas que fizemos. E hoje eu estou, sim, bastante arrependido de coisas que fiz, não de palavras que disse. Quando devia ter estagnado inventei de seguir em frente. E hoje penso em como poderia ter sido bom um momento de calmaria, nesta minha tão conturbada vida. Às quatro da manhã quando te revi pensei que o mundo tinha parado. O passado veio à tona tão rápido como um relâmpago. E eu nos vi juntos, como há tempos não estávamos. E eu quis reviver tudo, talvez com mais intensidade que no momento em que vivemos. Para que no futuro estes momentos não fiquem como meras lembranças claras na memória. E sim marquem-nos como tatuagens cravadas nas nossas peles, tão alvas e quentes. Teus lábios nos meus, nossos dentes se chocando em beijos compridos. São tão boas lembranças que trago. Andar de lado no ônibus te faz enjoar, não esqueço. Hoje não te mandaria fechar a boca. Lembras de estrela em francês? Oui! Merci. Amour. Desde daquele tempo parei de falar francês. O meu tão ridículo francês era apenas pra ti. Ainda escuto aquela canção, meu nome, um presente teu. Hoje vivo só com minhas recordações. E esses dias todas pularam do fundo do meu armário juntas, me fazendo sentir teu cheiro novamente, o sabor de teus beijos, tão antigos. Tua fala mansa, teus olhos cristais. E eu quero, quis ou quererei, não sei, estar contigo novamente. Nem que seja ao menos um segundo. Como éramos no passado, talvez ainda possamos ser no futuro. Amigos? Amantes? Algo. Tu, hoje, és necessária para minha sobrivência. Possa ser que seja apenas uma idéia fixa que eu tenha a perseguir. Porém, torna-se indispensável a mim. E eu não sei mais. Apenas não sei mais absolutamente nada do que era, do que sou, do que serei. Só sei que existes, tão firme e fixa na minha cabeça. Como solucionar-me não pretendo saber. Talvez essa resposta só tu saibas. E eu não me preocupo, apenas quero-te, como te quis a alguns anos. Vem. Eu te espero.

sábado, 2 de agosto de 2008

Abstrações Sem Nome.

Eu nunca fui o meu nome.
Nenhuma denominação, na verdade.
Eu pairei a vida inteira no desconhecido.
Nunca estive à luz, só a sombra.
Quantos dedos há nas mãos?
O número desejado, imaginado...
Eu queria noites infindáveis.
E dias hibernados.
Desfeito tudo, encerrado.
Abstrações de caminhos errados.
Chuvas inundantes da minha alma.
Eu sei que sobreviverei.
Como de outras vezes sobrevivi.
Galguei sonhos e nada.
Não, eu não vivi.
Eu sei.
Apenas passei na vida.
Despretenciosamente estive no mundo.
Não sendo absolutamente nada.
Ninguém.