diário, escritos, rascunhos, pulsações de uma vida quase completa

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Franqueza

Quis ser forte. Mais duro que o maior dos rochedos.
Ruí, como castelos de areia derrubados pelo mar.
E hoje desmancho-me de sentimentos.
Eu tenho saudade dos tempos felizes.
Se é que foram alegres.
Estou sim, fadado a sofrer por amor.
Como o maior de todos os poetas.
Sonhando com meus últimos suspiros.
Quando enfim descansarei de todas as agruras vividas.
E sairei deste mundo.
Para ir a outros universos.
Meus abraços foram vagos, vazios.
Os beijos que dei, sem gosto.
Frieza foi o que me acompanhou nos últimos momentos.
E eu sofro muito mais por isso.
Por não poder dizer: Eu te amo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

De tanto amor

Quem muito amou:
De amor morrerá.
Aquele que muito falou:
Estará relagado ao silêncio eterno.
O que nunca demonstrou:
Ficará condenado e preso.
Quem não viveu:
Permanecerá na escuridão.
Os que não se rasgaram:
Covardes para sempre.
Quem não se permitiu amar:
Solidão até o fim.
Aos que nunca quiseram ser amados:
Minha eterna pena.
Pois viver é amar.
Amar é sofrer.
E sofrer é estar pulsando.
Coração agitado, cabeça doida.
E assim sempre nos trilhos da vida vadia.
Vãs emoções soltas no espaço do mundo.
No oco dos seres que se querem construir pessoas.
De almas levianas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Poeira

Em que chão pisar? Se não o vejo.
As paredes tão sólidas de ontem onde estão?
A luz que brilhava tão vívida e forte se apagou.
Nenhuma réstia do passado existe.
Apenas mágoa, escuridão. Morte.
Um novo ciclo surgirá.
Quando?
Tantas perguntas me rodeiam.
Respostas que não estão em mim. Estão em outro ser.
E não me alcançam. Não me chegam claras.
O tempo, o tempo, que tempo? Tempo que não passa.
Pára. Exita e não segue seu rumo.
O silêncio e a solidão me tomam o corpo.
Me invadem as narinas como ar contaminado.
Me sufocam.
Sabedoria de um tempo que não se vive.
Experiências adquiridas com o nada.
Tudo vai ser ordenado, tudo vai tomar seu devido lugar.
E eu tenho medo da proporção que certas coisas podem tomar.
O novo me assusta?
Eu não sei mais quem eu sou, quem está comigo. Se alguém esteve.
Viremos as páginas da vida e vamos escrevendo novas linhas tortas.
E que volumes sejam acumulados uns em cima dos outros.
Nas nossas bibliotecas empoeiradas.
Até o dia que eles sejam lidos como documentos antiqüíssimos.
De histórias remotas.
Tristão e Isolda do futuro.
De um futuro distante.
Tão distante assim como tu estás de mim.
E estarás sempre e sempre, sempre.
Sempre ao largo da minha vida e dos braços meus.
Se extiguem em mim as forças e junto o meu sentimento.
E adiante nada restará.
Nem eu, nem o sentimento.
Só velhos livros entulhados.
Comidos pelos tempo.
Cobertos de camadas sistemáticas de poeira.
E fim. De um caso que nem começou.
Uma apressada da lentidão.
Movimento de estagnação.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Reza

Como o tempo passará.
Tudo acabará.
E não mais olharei atrás.
O mundo virará.
As pessoas mudarão.
Meus sentimentos se extirparão.
E nada mais restará.
Assim, seja.


P.S.: Alteração no nome por sugestão de Moema. (09 de fevereiro de 2009)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Quero-te.

Queria ter coragem.
Para dizer-te tudo que me arde no peito.
Todo meu amor derramar em ti.
Mas, me calo, espero.
Até que outro entre em tua vida.
E eu me retráia.
Guarde para mim tudo que sinto.
Eu bem sei que não devia me reservar.
O acertado seria te roubar para mim.
Ter-te em meus braços.
Dar-te os beijos com que tanto sonho.
E quem sabe assim seríamos felizes.
Só nós, juntos ao infinito.
Mas, não.
Escureço no meu peito todo o meu amor.
Até que ele apodreça.
E o tempo me faça te esquecer.
Para não te perder de vista finjo-me teu amigo.
Quando meu sentimento é muito maior.
Afastar-me de ti seria o sensato.
Quem disse que sei agir assim.
Quero-te no meu colo.
Nos meus braços pra sempre.
Afago os sonhos que tenho contigo.
Pois eles serão os únicos momentos em que serás minha.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Caminhos Cruzados

De antes eu não me lembro.
Nem necessidade há.
O que importa é o depois.
Agora e pra frente.
Que nossas vidas pregressas estejam guardadas.
Hoje, somos assim.
No futuro o tempo fará e dirá tudo.
Se nossos caminhos se descruzarem,
Ficarão as lembranças de hoje.
Dos momentos vividos.
As alegrias compartilhadas.
Das fraquezas mais escondidas em nossas almas.
Os traços desenhados no papel branco.
Brindemos com os copos cheios as nossas vidas.
Com risos e lágrimas, com os movimentos normais.
E que o destino haja por nós.


*Dedicado à ti.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Um momento da vida

Quando se chega a um momento da vida nada mais tem força.
Não se vê mais as cores fortes que nos passam.
Pensa-se que um segundo é uma imensidão sem fim.
As flores não têm o mesmo perfume.
São restos de saudade no peito alheio.
Os cigarros não fazem a mesma fumaça.
A vida passa sem grandes mágoas.
O passado nos ronda eternamente.
As lembranças surgem em todas as esquinas.
Ruas desertas tocam músicas serenas.
Palavras não são mais ordenadas como outrora.
Nada mais faz sentido.
Aguarda-se sentado o destino, o fim.
Que teima em nos deixar esperando.
Por um momento em que tudo virá como um filme.
E chega-se aos créditos finais.