A minha fraqueza é a mão que não se mexe para escrever-te.
Minha dor é não ter-te junto a mim.
Envolto em outros braços teu frágil corpo que um dia me pertenceu.
Minha solidão é um escuro que me engole como o buraco negro cósmico engole estrelas.
Não que eu seja estrela, meu brilho e viço já há muito perderam-se nas estradas secas.
O caminho atrás é poeira e lembranças quase apagadas da velha memória.
As lágrimas secaram antes de o chão tocar.
Não criei um rio, não escrevi um livro.
Eu apenas amei.
Amo, já nem sei mais.
O meu silêncio, a tua ausência que me estoura as veias, onde corre o meu fraco e anêmico sangue.
Já não quero continuar.
Cansei.
Desisto de tudo.
Eu não aguento mais.
Os pés estão abertos em chagas que queimam.
Fostes tu. Ou melhor, foi a tua não presença.
O teu afastamento tão de súbito.
E eu que quedei-me por estes recantos escuros do vazio da vida dos sem amor.
Nos escombros dos castelos de areia que construí em meus sonhos.
Meros devaneios de uma vida pela frente.
O breque foi inevitável.
O freio que me agarrou pelos dentes, como arreio do alazão.
E me fez estancar neste lugar.
Tu seguistes, galopante em teu pégaso.
Eu cá, destronado do posto que um dia ocupei junto ao teu coração de gelo.
Medo eu nunca tive, bem sabes.
As cartas que não te enviei, nem sequer escrevi-as.
Mas sei todas de cor, guardo-as ditadas a mim mesmo no silêncio do meu quarto.
A coragem de dizer-te hoje que ainda te espero já não tenho.
Esmurrar uma faca para quê?
Fazer sangrar os dedos que outrora te acariciaram a face?
Não.
Sofrer, já o faço por toda a vida.
Cruzando-nos outra vez, peço-te, mira ao lado oposto, não te aproximes.
Pois sou fraco.
E sei que não resistirei. Meu coração não aguenta.
Palpita dentro do peito, galopa em disparada carreira.
E o teu não.
Deixa-me. Resignado com o meu destino.
Trôpego nos caminhos que ainda me restam.
Errarei nas veredas que se abrirem a minha frente.
E só.
Peço-te.
diário, escritos, rascunhos, pulsações de uma vida quase completa
sábado, 12 de outubro de 2013
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Solidão
Tenho uma companhia que está sempre ao meu lado.
Há dias em que ela se afasta, pouco.
Mas há dias em que ela me encosta à parede.
Aperta-me contra o reboco frio.
Põe sua mão gélida sobre o meu peito numa tentativa de me resfriar o coração.
Quase petrifica-o.
A minha respiração é quase nula.
E minha companheira me domina.
Silenciado revejo todo os caminhos, como um filme que projeta-se naquela parede fria.
Lágrimas salgadas correm dos olhos e caem no chão.
Sobre o qual estão meus pés, mesmo que eu não os sinta mais.
É um vazio.
Meu corpo sem suas entranhas.
Apenas o coração, resistente, fraco, que ainda palpita, agarrando-se às últimas lembranças.
De repente tudo se desfaz.
A respiração retoma seu ritmo compassado.
O filme tem suas imagens esmaecidas.
E minha companheira descansa.
Fraca, vai preparar-se para o seu próximo ataque.
Que é sempre inesperado.
Até breve, amiga.
sábado, 31 de agosto de 2013
A(r)mou.
Quando não quis.
Não quis quando.
Teve.
Amor.
Armou-se até os dentes.
Tentava se proteger.
Amou, antes.
Quando teve não quis.
Amor.
Quando não quis.
Derrubou-lhe.
Armou.
O amor um bote certeiro.
Não quis quando.
Teve.
Amor.
Armou-se até os dentes.
Tentava se proteger.
Amou, antes.
Quando teve não quis.
Amor.
Quando não quis.
Derrubou-lhe.
Armou.
O amor um bote certeiro.
domingo, 25 de agosto de 2013
Pequeno poema do homem que acreditava
Quando criança acreditava no amor.
Amou e sofreu.
Perdeu e ganhou, poucas vezes.
Cresceu e continuou acreditando que tudo fazia sentido.
Em momentos, alguns instantes rápidos, desacreditou.
Mas sua vida foi toda amor.
Findou-se achando que tudo valeu.
Amou e sofreu.
Perdeu e ganhou, poucas vezes.
Cresceu e continuou acreditando que tudo fazia sentido.
Em momentos, alguns instantes rápidos, desacreditou.
Mas sua vida foi toda amor.
Findou-se achando que tudo valeu.
sábado, 13 de julho de 2013
As estrelas...
Repetitivamente, exaustivamente amava.
Gritava sempre, os ventos de todos os lados:
"Eu quero parir luz!"
Era seu sonho.
Iluminar o mundo com sua criança-estrela.
Um bebê de cinco pontas, pés, mãos e cabeça-guia de brilho.
O umbigo, rastro de cometa cairia e clarearia todo o caminho da estrada.
Guiando os passantes, retirantes e perdidos na amplidão do mundo vazio.
Tanto gritou o seu sonho-luz que numa noite fria um astro qualquer que vagava no cosmos desceu até a Terra.
Fecundou-a de matéria cósmica luminescente.
E alguns meses depois seu bebê-claridade veio ao mundo.
Deu a luz.
Mas a criança-estrela em poucos dias desfez-se da forma humana e partiu-se em vários, subindo aos céus onde bordou a abóbada celeste escura como um vestido cheio de pedras brilhantes.
Gritava sempre, os ventos de todos os lados:
"Eu quero parir luz!"
Era seu sonho.
Iluminar o mundo com sua criança-estrela.
Um bebê de cinco pontas, pés, mãos e cabeça-guia de brilho.
O umbigo, rastro de cometa cairia e clarearia todo o caminho da estrada.
Guiando os passantes, retirantes e perdidos na amplidão do mundo vazio.
Tanto gritou o seu sonho-luz que numa noite fria um astro qualquer que vagava no cosmos desceu até a Terra.
Fecundou-a de matéria cósmica luminescente.
E alguns meses depois seu bebê-claridade veio ao mundo.
Deu a luz.
Mas a criança-estrela em poucos dias desfez-se da forma humana e partiu-se em vários, subindo aos céus onde bordou a abóbada celeste escura como um vestido cheio de pedras brilhantes.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Malditas mãos
Passos e pés.
Caminhos que me levam onde eu não sei.
Enquanto seus pés estão fincados naquele mesmo lugar.
Eu vestia branco, era noite.
Nossos olhos se cruzaram.
E verdades eu vomitei, sem medo.
Saltar sem redes, meu exercício preferido na vida.
A sensação de nada esperar e esperar tudo ao mesmo tempo.
Mãos que se entrelaçaram até o momento do adeus.
O adeus que ficou sempre escamoteado ante a vontade das mãos de permanecerem juntas.
Mas o fim chegou. A partida inevitável, o adeus no cais, sem direito a lenços brancos acenados.
Apenas o silêncio. As noites tão frias de junho.
O vento que abraça meu corpo.
E eu sabia que teu corpo já estava sendo abraçado por outras mãos que não se levantariam para o adeus.
Acariciariam as partes de ti que outrora cabiam às minhas mãos acariciarem.
E minhas mãos, hoje frias, ainda sentiam teu corpo.
O teu cheiro ainda entrava por minhas narinas e colocava-me num torpor nostálgico.
E eu lembrava-me daquele momento: o Adeus.
Aquele instante de vida que eu queria não ter vivido.
O aceno que eu não queria ter dado.
Um último beijo que ainda trago na boca agora amarga.
Os olhos cinzentos e sem brilho que hoje tenho olham a vida sem grandes esperanças de novos amores.
Quero curar-me de ti, esquecer-me de teus olhos, teu cheiro, teu corpo, tua boca, de tuas mãos...
As mãos são as grandes culpadas da minha tristeza.
Malditas!
Antes eu as tivesse cortado fora para que não se levantam-se naquele aceno que decretou o fim de nós.
Caminhos que me levam onde eu não sei.
Enquanto seus pés estão fincados naquele mesmo lugar.
Eu vestia branco, era noite.
Nossos olhos se cruzaram.
E verdades eu vomitei, sem medo.
Saltar sem redes, meu exercício preferido na vida.
A sensação de nada esperar e esperar tudo ao mesmo tempo.
Mãos que se entrelaçaram até o momento do adeus.
O adeus que ficou sempre escamoteado ante a vontade das mãos de permanecerem juntas.
Mas o fim chegou. A partida inevitável, o adeus no cais, sem direito a lenços brancos acenados.
Apenas o silêncio. As noites tão frias de junho.
O vento que abraça meu corpo.
E eu sabia que teu corpo já estava sendo abraçado por outras mãos que não se levantariam para o adeus.
Acariciariam as partes de ti que outrora cabiam às minhas mãos acariciarem.
E minhas mãos, hoje frias, ainda sentiam teu corpo.
O teu cheiro ainda entrava por minhas narinas e colocava-me num torpor nostálgico.
E eu lembrava-me daquele momento: o Adeus.
Aquele instante de vida que eu queria não ter vivido.
O aceno que eu não queria ter dado.
Um último beijo que ainda trago na boca agora amarga.
Os olhos cinzentos e sem brilho que hoje tenho olham a vida sem grandes esperanças de novos amores.
Quero curar-me de ti, esquecer-me de teus olhos, teu cheiro, teu corpo, tua boca, de tuas mãos...
As mãos são as grandes culpadas da minha tristeza.
Malditas!
Antes eu as tivesse cortado fora para que não se levantam-se naquele aceno que decretou o fim de nós.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
As sombras...
Abriu a porta e saiu correndo.
Correu, correu, correu...
E quando parou se deu conta que ainda era o mesmo.
Não adiantava o quanto corresse.
As suas sombras ainda o seguiriam.
Voltou todo o caminho até a casa.
Entrou, fechou a porta e foi dormir.
Quando o dia clareasse já não veria as sombras.
E sorriria.
Até a próxima noite.
Correu, correu, correu...
E quando parou se deu conta que ainda era o mesmo.
Não adiantava o quanto corresse.
As suas sombras ainda o seguiriam.
Voltou todo o caminho até a casa.
Entrou, fechou a porta e foi dormir.
Quando o dia clareasse já não veria as sombras.
E sorriria.
Até a próxima noite.
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