diário, escritos, rascunhos, pulsações de uma vida quase completa

sexta-feira, 15 de abril de 2011

É tempo de amar...

É tempo de amar.
Preciso me preencher de sentimentos.
Rasgar meu peito com amores vãos.
Ocupar meus braços com corpos sãos.
Viver de paixão.
Alegrar-me em ouvir vozes queridas.
É tempo de amor.
Amor vadio.
É hora de se doar.
Viver e se entregar.
O meu coração pede amor.
Os ventos sopram brisas leves.
Tudo conspira para tal.
Abrir o peito e se deixar flechar.
É Eros que paira sobre nós.
É tempo de amar.
Minhas mãos estão ansiosas por percorrer caminhos de um corpo alheio.
Envolver no meu calor um peito amante.
Corações batendo compassadamente.
Estampar sorrisos nos rostos.
É meu desejo.
Eu preciso amar.
O tempo é de total amor.
Vivamos apaixonados.
Amemos-nos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O nada em mim.

O meu vazio ressoa o silêncio que grita tão alto dentro em mim. O meu coração anda sinistro e quieto. Meu corpo é frio e manso. A vida passa e eu caminho lentamente. Meus olhos já não enxergam longe. A apatia me tomou. Sou pequeno e frágil. Um mínimo grão de poeira pairando. Pouso levemente ao chão e fico. Vento me levará. Eu já não sei viver. As lágrimas secaram... O amor passou ao largo. Eu não desisti, apenas esvaziei. Estou oco. Qualquer movimento e tudo ecoa. Eu não sou mais o que fui. Eu não sei amar. Vegeto. Espero algo que nem sei o que poderá ser. Não o fim, não é isso. É o abismo. É um vácuo. É o vazio. O nada.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010...

Este ano, tão cansado e doloroso, chega ao fim. Fecha-se um ciclo. Completa-se a primeira década do novo século. O tempo passa cada vez mais rápido e se não corrermos ficaremos atrás. A cada dia eu vi o tempo passar, tentei correr, não alcancei o ritmo. Este ano foi difícil, talvez por isso mesmo ele marque. Este ano eu não tenho grandes feitos pra contar, tenho apenas novos amores na minha vida, pessoas que ganhei. Alguns pequenos momentos de rara alegria, alguns sorrisos sinceros que colhi durante o ano. Aprendi algumas novas coisas, confirmei coisas que eu já sabia: Aprendi que quanto menos sentimentos tivermos menos sofremos. Aprendi que as pessoas não pensam duas vezes em jogar futebol com o coração dos outros. Confirmei que o amor é uma via de mão única, que amar muito é ruim. Aprendi que não devemos esperar nada em troca. Mas como eu posso prometer não amar mais, amar menos, eu regido por Eros, Pessoa e Lispector? Enfim, tentar mudar minha essência eu não vou prometer, sei que não posso cumprir, nem neste próximo ano nem em ano nenhum. Eu vivo. Pro ano que vem eu prometo me cuidar mais, trabalhar mais, abraçar meus amigos, sorrir mais, ser feliz. Eu vou. Não quero prometer muito, quero fazer mais. O novo ciclo que se inicia com este novo ano promete ser uma era de realizações e eu quero colocar em prática meus planos. Que em 2011 e pra sempre  Iansã e Dioniso me guardem, me inspirem e me façam ter força de seguir em frente.
Amém pra todos nós.

As pessoas que se fizeram presentes:

Lala, meu esteio, meu amor, minha amiga, confidente, nosso eterno e imenso amor.
Regi, meu coração, tão pertinho este ano.
Soufi, de volta pra mim.
Du, outra mulher, madura.
Leli, minha Buba, tão feliz tê-la comigo.
Hermínia, a cada dia mais forte meu amor.
Ludmila, minha irmã tão igual e tão diferente.

As novas conquistas, meus grandes presentes de 2010:

Luna, minha Gisberta. 2011 que nos aguarde.
Aninha, a minha travesti linda!
Carol, praticamente meu livro de auto-ajuda, amor.

Divisão dos Bens.

Vamos dividir o que nunca existiu.
As lembranças são minhas.
A mágoa se você quiser pode ficar.
A saudade é toda minha.
O meu coração hoje em pedaços é seu.
Você pode brincar de quebra-cabeças.
Não, isso não vai lhe interessar.
O seu cheiro fica em mim.
Os meus beijos você pode guardar.
Teus olhos que não me disseram adeus, eu fico com eles.
Meu carinho pus em tua mala.
Sem que você percebesse.
Os últimos fios de cabelo no nosso lençol eu guardei.
Aquela velha foto onde sorríamos felizes queimei.
Não será minha nem sua.
O nosso amor deixará apenas marcas em nós.
Não precisamos de provas do que vivemos.
As únicas testemunhas somos nós.
Ninguém poderá dizer o que existiu.
Apenas o brilho dos nossos olhos, talvez, nos denuncie quando nos encontrarmos outra vez.
Adeus.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Você Não Sabe.

Você não sabe como eu queria esquecer.
Simplesmente acordar e não mais te lembrar.
Apagar da minha alma, do meu corpo, do meu coração.
Você não sabe o quanto ainda me importo.
Sua repulsa ainda me machuca.
Suas fugas de mim.
Que mal eu te fiz, não sei.
Talvez te amar em demasia.
É sempre esse o meu erro.
Você não sabe como eu ainda penso em ti.
Seu nome, seu cheiro, seu rosto ainda vívidos em mim.
E mesmo não querendo mais sofrer ainda sofro.
Mas há de passar.
A ferida vai cicatrizar.
Deixará de doer, um dia.
Você também não saberá.
Guardarei para mim.
Não quero te ver mais.
Hei de perder-me no mundo para te esquecer.
E conseguirei.
Farei promessas, pagarei penitências, mas vou conseguir.
Apagar todo amor que ainda existe em mim.
Se te odeio? Não. Só não posso mais te amar.
É simples.
Foi você quem pediu.
E acatarei seu desejo.
Você um dia saberá quem errou.
O que realmente deveria ter sido feito.
As suas escolhas nos trouxeram ao que somos.
Eu não pude escolher.
Apenas vivi.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

História.

Queria deixar a história e entrar na vida.
Sair da teoria ir à prática.
Fazer o que nunca tive coragem de fazer.
Viver.
Deixar os planos a longo prazo e agir.
Pensar duas vezes não funciona muito bem.
Me prendi muito atrás de conjecturas.
Quando a vida passava correndo por mim.
Eu sempre ouvi: "olhe o tempo passando".
Não entendia bem o que queriam me dizer.
Hoje eu sei.
Se eu soubesse naqueles dias...
Tudo teria sido muito diferente.
Passei todo o tempo contando minha vida.
Vida? Que vida?
Se eu nada vivi. Apenas sonhei viver.
Imaginei castelos e palácio de amores não vividos.
De sorrisos que não existiram.
Queria tanto poder ter outra chance.
De deixar a palavra por dizer e apenas fazer.
Ação!
Não entrei na vida.
Fiquei para sempre na história.
Que eu mesmo inventei.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Voo Final.

O meu prazer de sofrer não chega nem perto do teu prazer em me fazer sofrer.
Por que não pudemos simplificar tudo em algumas poucas palavras?
Meu rasgado e sangrento coração ainda insistiu em pulsar amando.
Quando já nem sabia mais o que é o amor.
Meu peito doeu por não suportar tamanho músculo massacrado.
Quis rasgar minha carne e expurgar todo esse sentimento de dentro de mim.
O que deveria ser bom só me fez um intenso mal.
Eu sei. Sei que tudo é foi minha culpa.
Que eu não sei, nunca soube medir o amor.
Minhas doses sempre transbordaram.
Exacerbei todo meu coração por amar demais.
Essa foi minha única e grande culpa.
E cumpri minha pena.
Não saber mais amar.
Ser vazio e triste.
Culpa por amar muito e intensamente.
O fim de quem ama.
Solidão.
Fim de todo meu coração já esmagado contra as costelas desse peito que ficará oco.
É o destino, escrito e traçado pelas minhas própias mãos que um dia afagaram teus cabelos.
Junto os meus lábios, as minhas pálpebras. Sinto o vento no meu rosto.
É o impulso final. O pulo. O silêncio.
O barulho seco no impacto.
Acabou.