diário, escritos, rascunhos, pulsações de uma vida quase completa

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O que o tempo fará?

Eu sei que um dia tudo será memória
E que uma dia a memória se apagará
Já não me lembrarei de teus beijos
Nem de tuas palavras de amor.
O som da tua voz se perderá no espaço
As tuas feições ficarão para trás com o tempo
E o que restará?
Talvez uma pequena semente plantada no fundo do meu peito
Ou apenas uma fotografia guardada numa gaveta qualquer.
Mas enquanto a vida não nos envelhece, vivamos
Desfrutemos deste sentimento que é fresco como água na fonte.
E quando a poeira do tempo se depositar nos nossos rostos nos saberemos felizes neste momento que será um passado velho e esquecido.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Oco

Oco
Ressoando ecos
Internos zumbidos
De um estilhaçado coração.
Vazio
Vácuo de um ser
Amores partidos.
Espaço secreto de amores nunca realizados
Hiato de sentimentos
Vão.
Peito oco e ressonante
Batidas fracas do meu exangue coração.
É o silêncio o que me espera.
Quando já cansado pararei
E tudo não terá importância
O eco do que fui perdurará
Amores
Quantos e tantos que me passaram
e eu fiquei, débil.
Com um enorme buraco no peito.
Oco.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

De tanto amor.

Queria te mandar flores. Ainda se usa?
Tenho vontade de te dizer o que sinto.
E tenho medo.
Penso em te contar meus segredos.
Mas não sei se devo.
Queria que minhas cartas fossem lidas por você.
Mas cartas já estão fora de moda.
E eu nem sei o seu endereço. Apenas o eletrônico.
Não se tem mais o romantismo do tempo de nossos ídolos baianos.
Aquela alegria de esperar o envelope que passou nas mãos amadas.
Tudo é virtual. SMS. E-mail.
O teu sorriso, tímido, não. Ele é real.
Eu queria te dizer...
Aquele pequeno instante em que mirei atrás e te vi chamando meu nome foi de intensa festa em mim.
E tenho certeza que você nem se deu conta disso.
Sorri e fiquei contente.
Mas tudo é efêmero, como a arte que escolhi pra viver.
Tudo tem um pano no fim.
Sob aplausos ou não.
Com final feliz ou trágico. Não sei.
Mas o ato ainda está pela metade, não há pra que pensar em final.
Vivamos.
Mas vivamos juntos.
Como amantes antigos, ouvindo num velho vinil aquela canção que diz o que eu tanto quero te dizer:
Baby, I love you.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Atrás e lá na frente.

Ontem era hoje, quando o tempo não havia passado.
Amanhã será hoje, quando o tempo passar.
Hoje será ontem, quando aqui enfim chegares.
E eu já não estarei como ontem, nem como hoje.
Estarei como amanhã. O amanhã que eu não conheço.
Pois só o conhecerei quando for hoje.
E isto talvez nem aconteça.
Não queira que eu permaneça parado no ontem, quando aqui estavas.
Hoje já não estás. E me dói.
Amanhã chegarás ou não. Não sei.
Preciso esperar. E esperar não condiz com meu espírito.
Sigo.
Se me quiseres ver-me, segue-me.
E no fim de qualquer caminho encontraremo-nos.
E talvez vivamos um hoje, que ainda é futuro, feliz.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O amor que não chegou.

Eu tenho os pés e a alma cansados.
O coração já quase não se escuta.
Descompassadamente ele bate, fraco.
Esperei tanto e a espera foi em vão.
O amor.
Não chegou, passou ao largo.
Perdeu-se nos tortuosos caminhos do mundo.
Minha porta não encontrou.
E eu fiquei anos naquela janela, olhando o fim da estrada.
Que ao fim deu em nada.
Silêncio e solidão.
Crua e triste história de quem não se lançou à vida.
Fecho porta e janela, fecho o coração.
Dou descanso à alma e aos pés.
É o fim.

domingo, 21 de outubro de 2012

Jogatina

Eu sempre aposto todas as fichas.
Tento quebrar a banca.
Até hoje só quebrei o coração.
Rasguei a alma.
Tenho perdido todas as jogadas.
Mas levanto e recomeço. Sem medo.
Lanço-me novamente em estratégias velhas.
Construo castelos de areia.
Que o vento derruba.
Projeto futuros que nunca se realizam.
E na roleta da vida estou girando.
Uma pequena bolinha entre números que nunca acerto.
Comprando novos sonhos para apostar mais uma vez.
E talvez dentre tantos palpites errados um dia eu acerte no vermelho paixão...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Leia na minha camisa...


Era um sábado. Despretensiosamente eu me reencontraria com uma das grandes vozes da minha vida, da música brasileira, do canto do mundo. Eu fui, quase sendo levado. Lembrava daqueles minutos presos à frente do computador, numa sala praticamente desmobiliada, numa noite fria em São Paulo, quando ouvimos pela primeira vez o disco. Um viva à tecnologia! Ouvíamos em primeira mão. Éramos dois jovens, naquela solidão paulistana, como aquele grupo de baianos jovens que aportaram naquelas terras na longínqua década de 1960. E ouviam seus vinis. Nós ouvíamos MP3. Mas a tensão e a expectativa eram as mesmas. Ouvimos de uma tirada só. 11 faixas. Um disco curto. As primeiras impressões foram de estranhamento. Era novo. Quebrava parâmetros como a música que eles mesmos inventaram anos atrás. Disco comprado logo em seguida, ouvido diversas vezes, até que aqueles sons que pareciam dissonantes tornavam-se familiares. Disco guardado. Expectativa para o show. Ingresso comprado, show adiado. Medo, tensão. Chegou o dia. Aquela companhia da primeira audição estaria comigo no show. Alegria. E lá estávamos, a caminho do tão esperado reencontro. No carro ouvíamos o disco. E chegamos. Amigos, conversas. Segundo sinal. Sentei-me, as pernas já não pareciam me pertencer. Toda minha descontração se fora. Minhas mãos tremiam como da primeira vez. Meus olhos aguardavam ansiosamente por rever aquela figura tão querida. Abrem-se as cortinas, as primeira notas. A VOZ. O sorriso, que parecia ser para mim, direto. Desarmei-me. Embarquei. Emocionei-me, como tantas vezes. Era o meu reencontro acontecendo, só ela e eu. O mundo parado ao redor. O seu canto, já é um “Recanto”, é novo e é o mesmo. O tempo passou. Tudo mudou, mas a voz, a voz é eterna.