Abre-te, bate-me,
Beijemo-nos como ontem, para amanhã e sempre sentirmo-nos um nos lábios do outro.
E que nossos corações palpitem.
Línguas.
Quentes, vorazes.
Arranca-me de meu quieto lugar.
Leva-me ao teu encontro.
Voando.
Arrasta-me ao teu peito.
Faz-me ouvir teus clamores de amores.
De um amor que nunca desaparecerá.
Que jamais perecerá.
Teu sorriso me derruba.
Os pequenos olhinhos comprimidos pelos músculos faciais que te fazem irradiar uma luz resplandecente.
Meu amor.
Que nunca me pertenceu.
Meu amor.
Chegaremos ao topo do alto monte e de lá pularemos no abismo.
O abismo que nos levará à queda livre que é o amor.
Meu amor.
Nosso amor.
Teu.
diário, escritos, rascunhos, pulsações de uma vida quase completa
segunda-feira, 4 de maio de 2015
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Amor de carnaval (e sempre)
Eu e você estamos conectados pelo amor.
O amor.
A música.
Você me ensina, eu te escuto.
Ouvimos numa noite fria, na cidade da garoa, aquela voz.
A voz.
Os sentimentos que habitam em nossos corações.
Éramos jovens e não sabíamos que o nosso amor trancenderia o simples amor carnal.
Irmanados, como vindos de outras longínquas vidas.
Tu e eu.
O amor.
Somos assim, corações vagabundos que vagueiam num mundo de frevos, versos e reversos.
Caetanos, Erasmos, Robertos, Gilbertos e Joões.
Desafinados com a vida medíocre de meros mortais.
Sambas, chulas, recôncavos de pratos riscados na faca.
Pretos, nas vísceras que preenchem nossos corpos.
Somos amor, olhos nos olhos de lágrimas e sorrisos.
Somos místicos e carnais.
Mil e um carnavais.
Subindo e descendo atrás de blocos, de verde-e-rosas que nos levam além, de além de sempre.
Morenos de sol.
Me ama.
Que eu seguirei te amando até o fim.
O amor.
A música.
Você me ensina, eu te escuto.
Ouvimos numa noite fria, na cidade da garoa, aquela voz.
A voz.
Os sentimentos que habitam em nossos corações.
Éramos jovens e não sabíamos que o nosso amor trancenderia o simples amor carnal.
Irmanados, como vindos de outras longínquas vidas.
Tu e eu.
O amor.
Somos assim, corações vagabundos que vagueiam num mundo de frevos, versos e reversos.
Caetanos, Erasmos, Robertos, Gilbertos e Joões.
Desafinados com a vida medíocre de meros mortais.
Sambas, chulas, recôncavos de pratos riscados na faca.
Pretos, nas vísceras que preenchem nossos corpos.
Somos amor, olhos nos olhos de lágrimas e sorrisos.
Somos místicos e carnais.
Mil e um carnavais.
Subindo e descendo atrás de blocos, de verde-e-rosas que nos levam além, de além de sempre.
Morenos de sol.
Me ama.
Que eu seguirei te amando até o fim.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Vermelho sangue
Ao som de "Maldição" - Drama - 1972 - Maria Bethânia
Essa mania de querer ser profundo ainda será a causa de minha extinção da face da terra.
O vício de tentar viver as histórias das letras de canções.
O sambas-doloridos-canção, dores de cotovelos alheias e minhas.
Entrelaçando meus temores e solidão às velhas músicas de feridas abertas.
De sangue escorrendo nos peitos de amantes.
Quase esquecida cantiga de Celestino.
O coração palpitante no chão empoeirado.
E não consegui mudar.
A intensidade trágica grega que me galopa nas veias.
Injetando seu veneno corrosivo em minh'alma.
Sangue quente.
Dores que expurgo como hemoptise nos versos escritos no papel.
Tinta vermelha borrando a superfície branca com os meus sentimentos.
O último bolero.
Elevo-mo
Cabeça erguida, não me lembro.
Sei.
Um dia eu fui.
Já não sou mais.
E que cheguem os dias em que todos também não o serão.
Noites de um vento morno.
Abismo, escuro e os olhos postos no velho livro de páginas amareladas.
Marcas que o tempo deixou naquela história de amor impressa em páginas pequenas e numerosas.
As idas e vindas de um casal apaixonado.
Farto! Sim, estou.
E que tudo o mais seja cinza, sobras das brasas que um dia arderam.
Queimaram.
O fogo extinto.
A casa aberta, as janelas azuis e as paredes brancas, caiadas.
Vento que adentra pelos corredores longos e silenciosos.
Era uma vez, eram muitas vezes, que sentado eu lia sob a luz tremulante de uma vela.
Os uivos que habitavam ao redor daquele lar, já não se ouvem mais.
Tudo é calmo e tranquilo.
Como o meu pequeno coração.
As mãos antes quentes, hoje frias, geladas.
O corpo pétreo, na mesma posição de outrora.
Livros empoeirados caem das estantes.
Só.
Nada mais, não sou mais.
Fostes.
As aranhas dominam a casa.
Tecem suas redes, finíssimas, por todos os cômodos.
Até os raios de sol da manhã tem preguiça de penetrar pelos vidros das janelas.
E aquelas paredes conservam umidades e lembranças de épocas antigas.
Deixem tudo quieto.
Toquem um bolero e tudo se resolverá.
Isso basta.
Até.
Cabeça erguida, não me lembro.
Sei.
Um dia eu fui.
Já não sou mais.
E que cheguem os dias em que todos também não o serão.
Noites de um vento morno.
Abismo, escuro e os olhos postos no velho livro de páginas amareladas.
Marcas que o tempo deixou naquela história de amor impressa em páginas pequenas e numerosas.
As idas e vindas de um casal apaixonado.
Farto! Sim, estou.
E que tudo o mais seja cinza, sobras das brasas que um dia arderam.
Queimaram.
O fogo extinto.
A casa aberta, as janelas azuis e as paredes brancas, caiadas.
Vento que adentra pelos corredores longos e silenciosos.
Era uma vez, eram muitas vezes, que sentado eu lia sob a luz tremulante de uma vela.
Os uivos que habitavam ao redor daquele lar, já não se ouvem mais.
Tudo é calmo e tranquilo.
Como o meu pequeno coração.
As mãos antes quentes, hoje frias, geladas.
O corpo pétreo, na mesma posição de outrora.
Livros empoeirados caem das estantes.
Só.
Nada mais, não sou mais.
Fostes.
As aranhas dominam a casa.
Tecem suas redes, finíssimas, por todos os cômodos.
Até os raios de sol da manhã tem preguiça de penetrar pelos vidros das janelas.
E aquelas paredes conservam umidades e lembranças de épocas antigas.
Deixem tudo quieto.
Toquem um bolero e tudo se resolverá.
Isso basta.
Até.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Cais
e de nós não restará nada
além de tua imagem em minha lembrança
e uma gravação em que me falavas em francês.
o nosso reencontro não aconteceu.
minhas mãos não tatearam teu rosto na tentativa de guardar as tuas feições em meu corpo.
ao longo dos dias te irás apagando, esmaecendo...
desmanchar-te-ás como papel deixado ao relento sob torrencial chuva de verão.
em breve não serás mais que um pequeno sopro de saudade dentro do peito meu...
viverás tua vida em outros portos-corações, não mais em meu cais-solidão,
neste atracadouro onde navios não têm paradas para além de uma noite.
além de tua imagem em minha lembrança
e uma gravação em que me falavas em francês.
o nosso reencontro não aconteceu.
minhas mãos não tatearam teu rosto na tentativa de guardar as tuas feições em meu corpo.
ao longo dos dias te irás apagando, esmaecendo...
desmanchar-te-ás como papel deixado ao relento sob torrencial chuva de verão.
em breve não serás mais que um pequeno sopro de saudade dentro do peito meu...
viverás tua vida em outros portos-corações, não mais em meu cais-solidão,
neste atracadouro onde navios não têm paradas para além de uma noite.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Sonho (ardente) de uma noite (quente) de verão
A F.L., mas que mais parece chamar-se P.
Há muito tempo eu não escrevo à mão.
E você me inspirou a retomar a escrita no papel.
Eu viro a cabeça e cheiro meu ombro, teu cheiro ainda está em mim.
Tua cabeça ainda pesa sobre o meu peito.
E posso sentir nossas pernas entrelaçadas.
Nosso corpos nus esparramados numa cama grande.
Nossos prazeres ressoando nas paredes e um quarto quente.
É verão. E a noite foi alegre. Como as noites de verão numa cidade litorânea do Nordeste do país.
E eu te abracei, você me beijou, nossos pés arriscaram passos e uma dança desajeitada.
Teu corpo suado exalava um aroma bom e que eu gostaria de sentir por toda eternidade. Mas...
Amanheceu.
Eu refiz o caminho de volta pra casa.
Teu sorriso matinal e o primeiro beijo de bom dia com gosto de menta ardia em meus lábios.
No meu quarto, também quente, de uma tarde, deitei-me em minha estreita cama, agarrado a um livro que havia semanas eu tentava terminar de ler. Consegui.
Foi duro dar o último suspiro junto à personagem retratada, era Joana, mas podia ser G.H., poderia ser também Laura, a galinha, não.
Era a escritora que morreu de câncer.
Envolta em sua aura de mistério.
Mas quando o vento, o pouco do vento que soprava, entrou pela janela, meu corpo exalou o teu cheiro. O cheiro a nossa noite, quente, feliz, de orgasmos.
E teu olhos apareceram para mim.
Como uma visagem, como uma miragem de um oásis no deserto do meu coração.
E eu sorri. Um sorriso tímio, confesso.
Pois, em mim ainda pulsava a esperança de um último reencontro antes que partas para tuas terras estrangeiras.
Que, enquanto escrevo, não sei se acontecerá.
Ponto final.
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